Desespero Mental

CURTO E LONGO

“O mercado de ações não existe. Ele só está lá como referência para vermos quando alguém está fazendo alguma coisa estúpida.”

Warren Buffett

Começo essa reflexão com uma curta frase de um livro que aprecio muito, no qual diz: Alguns se atribuem o rótulo de “investidores de longo prazo”, mas apenas até a próxima grande queda (ou pequeno ganho), ponto no qual eles rapidamente se tornam investidores de curto prazo e vendem suas ações, com grandes perdas ou com pequenos lucros ocasionais. É muito fácil entrar em pânico nesse negócio volátil sem estudar e trabalhar a psicologia comportamental.

O contraditor fajuto é aquele que acha que indo contra o fluxo de mercado está vendo algo que ninguém ainda viu. O verdadeiro contraditor é justamente o que espera as euforias se assentarem e compra ações, por pechinchas, de boas empresas com as quais todos estão em desespero, mais preocupados com as notícias, ou empresas que ninguém se importa. Afinal, são pacatas demais.

Ao tentarmos “prever o mercado”, a habilidade principal não é dormir, mas roncar. A grande sacada é aprender a não ouvir os instintos impulsivos, mas disciplinar-se a ignorá-los. Mantenha sua tranquilidade nas empresas adquiridas enquanto seus fundamentos financeiros não tiver mudado.

A TÍTULO DE CURIOSIDADE

Nos dois ativos acima, observa-se períodos diferentes com as mesmas características. Nesses exemplos que enxergo exatamente o que Buffett quer dizer na expressão: “Ele só está lá como referência para vermos quando alguém está fazendo alguma coisa estúpida.

Resolvi relatar os fatos ocorridos que geraram tamanho estresse no sistema nervoso dos “pseudos investidores” (especuladores é a melhor expressão) para deixar como exercício.

Empresa 1: Taiwan Semiconductor Manufacturing – TSM
Uma queda abrupta de 27% em apenas dois meses por conta da pandemia Covid-19. Apenas isso! A TSM continuou relatando lucros após lucros em todos os trimestres.

Empresa 2: Novo Nordisk A/S – NVO
Em 2016, mais exatamente nos resultados do terceiro trimestre, a Novo Nordisk informou aos acionistas que a companhia estava sofrendo pressão por parte do governo americano referente aos produtos de insulinas. A tal pressão reduziu as vendas de suas insulinas mais antigas em 1% nos primeiros nove meses do ano.

Pronto, bastou um simples comentário de forma transparente para os “investidores a longo prazo” entrarem em histeria. No período de 8 (oito) meses, as ações caíram 40% por uma ansiedade negativa absurda do mercado.

O mais impressionante é que, no mesmo comentário “negativo” acima, a empresa descreveu inúmeros pontos positivos.

“Embora os resultados em si tenham sido decentes, a administração afirmou que está vendo uma enorme pressão de preços sobre seus produtos de insulina de seguradoras nos EUA, o que está forçando a empresa a dar concessão para permanecer nas fórmulas. Essa pressão reduziu as vendas de suas insulinas mais antigas como NovoLog e NovoLog Mix 70/30 em 1% nos primeiros nove meses do ano. Felizmente, isso foi compensado pela força na droga Victoza, do Novo, e sua próxima geração de insulina Tresiba, que permitiu à empresa registrar um crescimento constante de vendas em moeda de 6% nos primeiros nove meses do ano.”
Fonte da época: Clique aqui!

Exatamente isso que você está lendo! Os balanços foram positivos, a Novo Nordisk continuou batendo recorde de lucros e mesmo assim um comentário, para quesito de informação, deixou Os Caras do mercado apavorados e saíram vendendo tudo. O famoso efeito manada!

CAI NO BOATO, SOBE NO FATO”

Não precisa ser nenhum gênio nas finanças para notar que tem algo de muito estranho nessas quedas bruscas sem motivo aparente. Tanto que após o surto do desespero, o preço das mesmas ações começaram a subir notoriamente ao longo dos meses (primeiro caso) e anos seguintes (segundo caso). Não teria sido mais rentável e menos estressante, para você, leitor, ter tido paciência e resiliência em suportar as maluquices dos outros?

Caso o especulador tivesse trabalhado o comportamento psicológico, com a TSM ele teria uma rentabilidade mínima de 48%, apenas em cotação, no período de 8 (oito) meses, Já com a NVO, a rentabilidade seria, no mínimo, 27% apenas com a cotação – sem contar novos aportes, dividendos/proventos ou desdobramentos -.

PARA REFLETIR

Caso você fosse um comerciante que sempre está lucrando, venderia seu comércio por conta da pandemia? Ou se algum mês específico tivesse um lucro abaixo do desejado? Ou por seu vizinho começar a espalhar notícias que seu comércio estava arcando prejuízos? Mesmo obtendo lucros?

O Preço da Paciência

“Motivação é o que faz você começar. Hábito é o que te faz continuar.”

Jim Rohn

95% DA SOCIEDADE

Um dos maiores fatores que impedem a maioria das pessoas de implementar e manter hábitos positivos é que elas não possuem a estratégia certa. Não há uma aferição mental correta. Logo, elas não sabem o que esperar e também não estão preparadas para superar os desafios psicológicos e emocionais, que são parte do processo da associação firme de qualquer hábito novo.

Há uma necessidade estratégica para adquirir domínio sobre a compulsão e consequentemente, regularidade dos hábitos positivos. No livro “O Milagre da Manhã”, do escritor Hal Elrod – recomendo com empenho essa leitura -, relata que cerca de 95% da sociedade fracassa, repetidas vezes, em qualquer tentativa de mudança positiva de hábito que possa influenciar “negativamente” o corpo físico, psicológico ou emocional. Citando como exemplo: parar de fumar, rotinas de exercícios, dietas e também, mudança no orçamento e hábitos financeiros.

Porém, a falsa “sensação negativa” que o indivíduo sente fortemente, dura comprovadamente até os primeiros 21 dias, segundo estudos comprovados por Maxwell Maltz – Psycho-Cybernetics: A New Way To Get More Living Out of Life.

E DAÍ?

A mudança repentina de hábitos econômicos e principalmente no ambiente do mercado financeiro requer práticas constantes de aprimoramento comportamental em estratégias mentais para combater a ansiedade, leituras voltadas para o desenvolvimento pessoal e conhecimento interior, filtragem de conteúdos tendenciosos e alarmistas, e por último, elaborar métodos (táticas) para controlar o gatilho mental em tomadas de decisões.

Um dos conceitos que me marcou para controlar os gatilhos mentais: “De modo geral, o sujeito toma decisões importantes com a mesma certeza e rapidez que também toma decisões não importantes.”

Particularmente, observamos essa atitude errônea, precipitada e impensável de maneira gritante no mercado de renda variável. O sujeito citado tem grande chance de ser você que está lendo este conteúdo, afinal, o indivíduo se torna um especulador a curtíssimo prazo, escolhendo e negociando ativos – compra e venda – envolvendo seu patrimônio financeiro simplesmente por que “soube” de alguma forma que tais ativos iriam subir ou cair. Toma-se uma decisão importantíssima envolvendo dinheiro próprio, sem nenhuma informação valiosa concreta, com a mesma rapidez que decide entre tomar um copo d’água ou de suco.

Porém, o mercado não deve ser tratado como casa de apostas, pois as variáveis que criam as abruptas volatilidades são infinitas. Não há o mínimo racional condizente que justifique a direção exata dos ativos e seu patrimônio simplesmente pode ir pelo ralo em minutos.

Se fosse dono de um negócio e não houvesse cotações diárias para “medir” o desempenho da empresa, como você avaliaria seu rendimento? Com certeza iria observar o crescimento dos lucros, a margem líquida, o fluxo de caixa, crescimento dos clientes e por aí vai. Simplesmente a economia iria ditar o aumento ou diminuição do seu investimento. Dito isto, então por quê você se preocupa tanto com a euforia ou pessimismo diário do mercado acionário? O risco se torna altíssimo!

“Não me importaria se o mercado de ações fechasse por um ou dois anos. Afinal, fica fechado aos sábados e domingos e isso não me incomoda nem um pouco”.

Warren Buffett

LIDANDO COM AS ARMADILHAS EMOCIONAIS

Criei alguns métodos pessoais para burlar a ansiedade e tomar decisões importantes que envolvem meu dinheiro, de maneira racional e coerente. Trabalhei uma mudança de hábito forçadamente até conseguir dominar minhas atitudes impulsivas relacionadas ao mercado. Vou citar alguns exemplos para melhor compreensão.

  1. Deleto o aplicativo da corretora por períodos diários e até semanais para não correr o risco de cair na armadilha em abrir o Home Broker com frequência;
  2. Montei um único portfólio com empresas financeiramente sólidas de acordo com meus estudos, aprofundando meu conhecimento nos investidores reconhecidos a nível mundial. Sigo os ensinamentos dos mais bem-sucedidos e isso me dá uma tranquilidade psicológica em relação às minhas decisões;
  3. Me comprometi a abrir sites sobre notícias do mercado apenas uma vez ao dia, no horário de fechamento do mercado. Essa atitude me limitou a não ficar ansioso pelas notícias “alarmantes” o tempo todo e continuar me mantendo informado;
  4. Mesmo com dinheiro para em caixa, implantei o autocontrole para não aportar com desespero, analisando calmamente os ativos e determinando um dia específico para o aporte – caso NÃO haja uma queda brusca -. Se houver uma queda acentuada com grande pessimismo do mercado, efetuo o aporte;
  5. Adquiri o hábito de não procurar/verificar Ativos aleatórios sem algum objetivo claro. Por exemplo: sem motivo ou sem dinheiro para comprar, sem necessidade de aumentar de portfólio, sem necessidade de rotacionar algum ativo (vender para comprar).



    Recomendação de Leitura

BENEFÍCIOS DOS NOVOS HÁBITOS

Diminuí consideravelmente a angustia/ansiedade em ficar olhando como estava meus rendimentos diários, sendo que eu não ia retirar nenhum valor. Aprendi que notícias vem e vão todos os dias, o tempo todo, e que isso não afeta a longo prazo os meus ativos, pois os comprei com motivos plausíveis me baseando nas competências das companhias.

E o principal benefício que sinto é justamente ter plena consciência que estou psicologicamente controlado para aguentar pressões inesperadas dos mercados. Seja em pessimismo, euforia e problemas adversos.

Não há preço que pague em deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo.

Maquiagem na Chuva, Borra!

“Não é o que você NÃO sabe que te mete em encrenca. É o que você sabe com certeza e que simplesmente não é verdade.”

Mark Twain

PARE, PENSE E REFLITA

Observe que a economia comportamental começou com situações simples do cotidiano que foram analisadas – as pessoas fazem muita contabilidade mental – e não tratam o dinheiro da maneira como deveria.

Muitos erros organizacionais poderiam ter sido facilmente evitados se alguém estivesse disposto a dizer ao chefe que algo estava errado. Mas provavelmente ninguém se atreve a dizer por medo da reação oposta. Podemos trazer essa visão corporativa para dentro de nossa vida social, seja com a família, com os amigos ou até mesmo em uma conversa jogada fora com um conhecido qualquer. O importante é ressaltar que, mesmo dentro do nosso convívio, onde não temos um chefe para nos reprimir, automaticamente, não falamos a verdade que tem que ser dita por receio das reações negativas. Quando o assunto é consumo, gastos, austeridade e exageros, a conversa fica ainda mais aflorada pelo lado oposto.

A verdade é que economia não é mágica, não se dá jeitinho, não tem viés político ou ideológico, social e cultural. Economia é uma “matéria” abstrata do ponto de vista psicológico mas exata do ponto matemático e exato. O conceito final de tudo se resume: Não gaste mais do que receba.

O dinheiro queima porque é de papel, e papel sem valor agregado não tem valor algum. É apenas papel!

Mas como algo teoricamente tão simples, se torna tão complexo? Do ponto matemático é direto e reto! Porém, quando envolve-se a questão mental, o Humano é infinitamente mais complicado, tornando a moeda e tudo ao seu redor (economia doméstica, macroeconomia e mercado) tão volátil, que chega ser até incompreensível aos olhos de qualquer pessoa. Afinal, toda a matemática exata da economia, do câmbio e do ideal econômico, se torna pó a uma simples mudança de atitude tecnicamente irresponsável por parte do indivíduo. Considero indivíduo neste caso, desde a pessoa mais humilde e sem instrução adequada, passando por grandes profissionais, e por fim, aos Senhores (as) que “cuidam” das políticas públicas (políticos).

ANALOGIAS BARATAS, CURTAS E GROSSAS

  1. O que acontece quando uma pessoa diminui ou perde a renda repentinamente? Há um “acréscimo da pobreza” na vida dela, seja individualmente ou familiar.
  2. O que acontece com uma empresa quando ela gasta mais do que produz? Ela empobrece diretamente e se não houver “estímulos fiscais internos ou externos”, decreta falência.
  3. O que acontece se houver apenas um Supermercado na cidade? Preços abusivos, monopólio e estagnação em desenvolvimento do Mercado por falta de opções, concorrentes e livre mercado. Poucos ganham e muitos perdem – não há estímulos para investimentos.
  4. O que acontece com os governos gastam mais do que arrecadam? Seja por qualquer motivo. Por mais estímulos que haja (pois somente o governo é capaz de criar dinheiro, literalmente), se não houver produção de riqueza suficiente para arcar com os gastos, a grande massa da população empobrece. Pois, assim como nos exemplos anteriores:
    – há uma diminuição de renda das pessoas;
    – há um gasto maior do que a produção;
    – há estagnação no país, estado ou município, seja por falta de desenvolvimento estrutural, estatizações e cerceamento da concorrência e livre mercado – acarretando à falta de investimentos.
    – Poucos ganham e muitos perdem.

Voltando ao título, não existe maquiagem que esconda a verdade por trás da face quando uma chuva, mesmo que fina e passageira, comece a cair. Desse mesmo modo, a economia real uma hora é descoberta da economia maquiada e fictícia.

O comportamento humano pode maquiar a economia real, atuando irresponsavelmente, empurrando com a barriga e procurando “jeitinhos” para absorver, mitigar e suavizar os impactos profundos que afetarão a população.

Mas a matemática é exata.

AUTOCONTROLE

“Fumantes pagam mais caro pelos seus cigarros ao comprar um maço por vez em vez de um pacote inteiro”

Richard Thaler

FORÇA DE VONTADE?

Provavelmente a falta de autocontrole em tomadas de decisão são o grande problema do ser humano, independente do estudo, da cultura, religião, crenças, do QI, da família, dos problemas vividos, da facilidade ou dificuldade na infância. Não é tratado com a importância necessária, até por que, a grande maioria nem reflete sobre isso. Os únicos que são enxergados, de fato, são os que possuem algum tipo de vício explícito que produzem diretamente um efeito negativo ao redor (viciados, alcoólatras, impulsivos compulsivos em várias áreas).

O homem sempre visa a necessidade momentânea, ou seja, a curto prazo, da satisfação pessoal, daquele prazer imensurável incontrolável da conquista, do sucesso, do vício, da dopamina. As consequências dessas atitudes previsíveis são muito visíveis e palpáveis a longo prazo, pois reflete fortemente no que o indivíduo se torna e também da sua característica básica comportamental.

Um dos principais observadores dessas características humanas foi justamente Adam Smith, muito conhecido pela economia do livre mercado e liberalismo econômico. Smith relata em seu livro Teoria dos Sentimentos Morais sobre o autocontrole, retratando o conflito de interesses pessoais entre “paixão e racionalidade”.

Entre outros economistas que descreveram profundamente sobre as cartadas do autocontrole em nossas vidas, temos George Lowenstein e William Stanley Jevons. O primeiro descrevia sobre o conceito da “força de vontade”, uma expressão que não tinha significado na economia teórica, mas é claramente enxergada na economia prática de qualquer indivíduo consumista. Já o segundo, Stanley, observou muito bem a perspectiva do autocontrole na questão do tempo. Relata-se: Podemos dar muita importância em tomar aquela taça de sorvete agora em vez de amanhã.

“Nossa capacidade telescopia é defeituosa, e nós, portando, vemos prazeres futuros em escala reduzida.”

Arthus Pigou, 1920

A ideia básica é que o consumo vale mais para você agora do que mais tarde. Não tem nenhuma mentira nessa frase. Nós somos imediatistas por natureza e desenvolvemos essa péssima característica ao longo dos anos – principalmente pela falta de educação financeira adequada.

TEORIA DO CICLO DE VIDA

Suponha-se que uma família, com uma renda mensal fixa, utiliza exatamente esse valor para arcar com os custos mensais. Logo, caso essa família receba um incremento esporádico em sua renda, automaticamente este valor se incorpora ao seu orçamento dando a falsa visão de que àquele valor era extremamente necessário (levando também a um gasto extra).

O breve relato acima nos leva a crer que nossos vícios psicológicos e comportamentais estão atrelados sempre a um gasto futuro do que ainda nem recebemos. E mesmo quando, por algum motivo qualquer, recebemos algo que não esperávamos, fazemos questão de justificar o gasto daquele valor como se já estivéssemos com alguma necessidade urgente.

Ao observarmos este tipo de comportamento de maneira externa e abrangente, notamos o quanto praticamos exatamente neste contexto os mesmos procedimentos em tantos outros indivíduos que nos rodeiam. A hipótese do ciclo de vida, criado por Modigliani, na qual pessoas decidem quanto da riqueza do seu tempo total de vida vão consumir em cada período, demonstra que o autocontrole de uma pessoa deve estabelecer metas racionais para contabilizar os gastos e implementar (elaborar) um plano ideal baseado na expectativa da vida individual em uma sociedade vivente.

Essa teoria é lastreada principalmente pelo conceito da “poupança”, no qual a pessoa adere este tipo de plano pensando em reservas de emergências e aposentadoria a longo prazo. Isso demonstra que o conceito de poupança ainda é reconhecido largamente entre as pessoas, e o próprio nome já insere abruptamente o sentido de autocontrole no psicológico humano e também a importância em adquirir maturidade financeira para uma riqueza futura.

Portanto, carrego essa perspectiva do autocontrole de forma mais abrangente, principalmente na questão da “riqueza fungível” (essa riqueza é aquela que se consome após o uso). Naturalmente, em nosso dia a dia, temos vários exemplos de tipos dessas riquezas fungíveis. Destaco fortemente como os Passivos que nos absorvem grande capacidade monetária e sem nenhum retorno a longo prazo.

Já no mercado financeiro, destacando o mercado de renda variável, é de suma importância praticar um exercício mais aprofundado e complexo das suas fraquezas relacionadas a falta de autocontrole mental, pois é a forma mais fácil e rápida de perda patrimonial. Leva-se em consideração que o efeito tempo é o principal atributo para acúmulo de patrimônio e de rentabilidade de um investidor centrado em seus objetivos, embutindo o conceito de poupança em investimentos variáveis, superando à princípio, as fortes negativas em seus rendimentos.

Economia Comportamental .2

“O homem puramente econômico está de fato próximo de ser um idiota social. A teoria econômica tem se preocupado demais com este tolo racional.”

Amartya Sen

O QUE PARECE JUSTO?

Exemplo 1.
Suponha-se que determinada cerveja de mesma marca, quantidade e conteúdo, seja vendida em dois estabelecimentos diferentes em uma determinada praia – pode ser em uma orla, rua ou até mesmo por vendedores ambulantes -. Um dos estabelecimentos (A) é moderadamente estruturado, ambiente agradável, música de qualidade e bem frequentado. O outro é um bar simplório (B), modesto e sem atrativo aos olhos.

A cerveja é vendida por dois valores diferentes, respectivamente, uma a R$ 7,00 e outra a R$ 4,00. Automaticamente entra em ação o psicológico-social humano e se auto deduz quais dos comércios vendem a cerveja mais cara e barata daquela praia.

O “preço justo” é visualizado pelo consumidor simplesmente pelo valor investido em cada estabelecimento, independente da qualidade final que cada produto se encontra. Ou seja, mesmo que a cerveja do local A esteja mais quente do que a encontrada em B, o preço justo é justificado pelo cliente conforme o valor intrínseco total. A psicologia econômica social vivida em A valoriza a cerveja quente em R$ 3,00.

O cliente se conforma mentalmente com uma despesa superior de R$ 3,00 se confortando que o dinheiro foi bem gasto, apesar de ter pago quase 100% a mais em um único produto.

Conclusão: O indivíduo resiste a pagar o mesmo valor por uma cerveja vendida em um boteco do que por uma vendida em um local mais apresentável, pois na cabeça dele, não é justo que o dono do boteco cobre um preço tão alto pela mesma cerveja.

Exemplo 2.
Uma loja vende guarda-chuvas por R$ 12,00. Nos dias seguintes, há forte previsão de chuvas e a loja aumenta preço para R$ 20,00. Você, como consumidor, acha essa atitude da loja aceitável ou injusta?

Baseado na pesquisa de Thaler, relatada em seu Best Seller “MISBEHAVING – A construção da economia comportamental”, responderam 100 (cem) entrevistados:
Aceitável: 18%
Injusta: 82%

Aumentar os preços nessas situações é exatamente o que a Teoria Econômica diz que deveria acontecer. O indivíduo justifica o preço justo do produto ou serviço baseado em seu conforto psicológico refletindo o contexto social que habita.

“A vida que você salva pode ser a sua.”

Thomas Shelling, Economista Comportamental

O VALOR DE UMA VIDA

E estrutura mental do ser humano quando vislumbra conceitos comportamentais se firma também no julgamento de responsabilidade econômica.

Digamos que uma pessoa necessite de milhares de reais para uma cirurgia que prolongue sua vida por dois (anos) anos. Essa pessoa se encontra em um hospital – seja público ou privado – que faz campanha para arrecadação em doações para a realização desta operação: Logo o hospital receberá uma enxurrada de doações por meio de depósitos, envelopes e até moedinhas de pessoas mais humildes.

Mas se sair uma reportagem dizendo que sem o repasse de verbas públicas ou até mesmo de desvios fiscais – corrupção -, este mesmo hospital está comprometendo seus atendimentos, serviços e podendo ter um aumento quase imperceptível de mortes, pouquíssimas pessoas irão se sensibilizar com o caso do paciente que está à beira da morte.

Conclusão: Os indivíduos se sensibilizam e se sentem responsáveis por salvar uma “vida identificada” exclusivamente por causa do dinheiro. Mas se eximem da responsabilidade de “salvar” aquela vida quando descobrem que a falta de dinheiro é justificada por outro agente (Estado, corrupção ou negligência), conceituando pela reportagem que haverá de uma maneira ou de outra um aumento “quase imperceptível de mortes”.

ENFIM..

O preço justo é arbitrado sempre pelo psicológico do indivíduo considerando o entorno que convive.

Economia Comportamental .1

INTRODUÇÃO

A ECONOMIA GOVERNALMENTAL É BASEADA NA ECONOMIA COMPORTALMENTAL DOS INDIVÍDUOS QUE ESTÃO NO PODER

Nosso comportamento econômico é baseado em práticas constantes desde a educação básica. Aliás, nunca fomos educados neste sentido de fato.

Estamos enterrados em uma cultura bizarra do esquecimento das realidades que já vivemos, principalmente, nos 15 anos para trás. Particularmente, eu não sei se essa é a tendência do brasileiro, mas se torna cansativo reviver as mesmas experiências passadas mesmo com o passar dos anos. Me sinto em um deja vu temporal de médio prazo.

As mesmas relações são repassadas às pessoas de forma sucintamente com palavras ou descrições amenas. Podemos citar como exemplo:
1. A criação das notas de R$ 200,00 são apenas por falta do dinheiro em papel;
2. Estamos vivendo um breve momento ruim na economia. Logo a inflação vai se normalizar.;
3. A taxa de desemprego é passageira e vamos estimular a economia para reverter esse cenário;
4. Os benefícios sociais são necessários para a erradicação da pobreza;
5. Estímulos econômicos governamentais precisam ser levados aos pequenos e médios empresários para o fomento da economia.

NÃO!

Esses exemplos citados são apenas frases prontas e recorrentes utilizadas ao longo dos anos e anos por indivíduos que também não tiveram uma base de estudo e raciocínio lógico sobre economia comportamental durante sua formação intelectual. Basta fazer uma reflexão simples: Você já teve uma educação financeira básica na infância? Já te instruíram sobre algum conceito econômico, seja qual for, por mais simples que seja?

Estamos acorrentados em ciclos econômicos baseado em conceitos falhos e restrição da capacidade cognitiva ao longo de séculos, pela simples falta de instrução e “preguiça mental” em analisar conceitos econômicos tão básicos.

A Economia, ao meu ponto de vista, é simplesmente a Ciência Social mais adequada capaz de resumir toda a complexidade ideológica, comportamental e psicológica do indivíduo. Essa ciência parte da necessidade individual, experiências passadas e desejos futuros. Devemos analisar a macroeconomia como indivíduos unitários que compõem sociedades, nações e governos. Cada um inserido em contextos diferentes que buscam um único propósito: realizações de desejos e sonhos acompanhado da liberdade econômica, independente da classe social já introduzida.

TEORIA DO CUSTO DE OPORTUNIDADE

O ser humano se tornou uma máquina incontrolável em busca do sucesso e satisfação social que se exige e se compara automaticamente com o círculo em que habita, sempre procurando a ascendência econômica e social capaz de suprir a anterior. Essa caçada incessante pelo “tesouro” imediato se torna a principal fraqueza, pois o indivíduo se torna frágil às suas próprias tentações psicológicas, incontroláveis, ilógicas e irracionais perante a matemática simples relacionadas ganhos, custos, prejuízos e endividamento, sempre comparando sua situação pessoal com referência no próximo.

Estatisticamente, pode-se tomar como base de análise, uma situação muito comum baseada em desejos irracionais.

“Se todos têm, eu também quero.”
“Se todos fazem, eu também faço.”
“Se todos vão, eu também vou.”

Não minta para você mesmo e admita que, pelo menos, alguma vez em sua vida já pensou em algumas dessas seguintes premissas. O ponto chave da questão é: Nossos comportamentos e atitudes diárias são baseadas em nosso convívio social. E atualmente se agravando de modo substancial pelas redes sociais, pois nossa visão “social” passou-se a abranger indivíduos distantes da nossa realidade – famosos, blogueiros, influenciadores digitais, familiares, amigos e até mesmo pessoas que já foram próximas em algum período de um passado distante -, trazendo à tona cada vez mais impulsivamente aos nossos desejos de ascendência socioeconômica individual.

“A construção da economia comportamental se dá pelos custos de oportunidade também denominada de custos de felicidade.”

Richard H. Thaler

Esse custo de felicidade é inversamente proporcional ao tempo de vida, descritivamente e normativamente, segundo os estudos de Thaler. Isso significa que, essencialmente, quanto maior o galgar rumo a perspectiva da aquisição de bens de consumo de alto custo – custo de oportunidade -, menor será o tempo e qualidade de vida restante do sujeito.

Aprendendo Com Buffett

SIGA OS MESTRES PT. 2

“O investidor que se permite ser atropelado ou se preocupa indevidamente com declínios injustificados do mercado que afetam seus investimentos está perversamente transformando sua vantagem básica numa desvantagem básica.”

Benjamin Graham

“Se você me pede que avalie o risco de comprar a s ações da Coca-Cola agora de manhã para vender amanhã, eu diria que essa é uma transição muito arriscada. Entretanto, conservá-las durante dez anos representa risco zero.”

Warren começou comprar suas posições da Coca-Cola (KO) em 1988 e adivinha? Ele as detém até hoje. Mais de 30 anos em apenas uma Company. Claro que há pesquisas anuais sobre como andam os negócios da KO, mas isso que diferencia o investidor com olhar de sócio em comparação com o especulador clássico. Adquirir uma paciência ao longo do tempo.

“O mercado de ações é uma transferência de valor dos impacientes para os pacientes.”

Exatamente com essas pequenas frases que Warren define o comportamento essencial do investidor em mercado de renda variável. Nada além da pura capacidade psicológica comportamental.

O JEITO WARREN BUFFETT DE INVESTIR

A importância da leitura dos modelos de investir dos grandes “vencedores” da Bolsa de Valores se torna uma busca constante para o aprendizado e entendimento para não se deixar levar pelas variações incalculáveis deste negócio. Sim! Todos nós que investimos em Ações – empresas -, temos o dever de nos comportamos como sócios, donos, CEO’s, investidores e consumidores daquele produto ou serviço. Exige-nos a capacidade de nos importarmos com os dados anuais das nossas empresas e como andam nossos lucros, prejuízos e perspectivas futuras do nosso negócio.

Não se compra e vende negócios em minutos, dias e meses – não na visão de proprietário -.

Liev Tolstói faz uma observação em sua obra Guerra e Paz: “Os mais fortes de todos os guerreiros são estes: o tempo e a paciência”.

Sempre busco embutir incessantemente na mente, tanto na minha, quanto dos que me questionam: “Fortaleça o psicológico diariamente”. Apesar dos programas de computador e das caixas-pretas diárias, ainda são as pessoas que fazem os mercados.

Charlie Munger salienta: “Entraram no mundo dos negócios e encontraram enormes padrões previsíveis de irracionalidade”.

A PSICOLOGIA DO INVESTIMENTO

  • Confiança Excessiva
    O excesso de confiança nas informações que coletam e pensam que têm mais razão do que efetivamente têm. Se todos os envolvidos acham que sua informação está correta e que sabem de algo que os outros ignoram, o resultado é um grande volume de negociações e incertezas sem valor. Afaste-se das enxurrada de notícias diárias e foquem no negócio da empresa.
  • O Viés da Reação Exagerada
    Richard Thaler chama a atenção para vários estudos demonstrando que as pessoas dão ênfase demais a evento aleatórios achando que identificaram uma tendência. Especuladores se apegam a informações recentes e extrapolam com base nelas. As pessoas costumam ter uma reação rápida e exagerada diante de uma má notícia, mas reagem lentamente a boas notícias.

    Thaler a descreve como “miopía do curto prazo” e acrescenta: “Não queira saber a cada minuto o que há na caixa de entrada de seu computador, nos recados de seu celular ou de qualquer dispositivo que tenha”.
  • Aversão a Perdas
    Segundo a teoria de Kahneman e Tversky, intitulada “Teoria da Perspectiva: Uma análise da decisão do risco”, provaram matematicamente que as pessoas lamentam as perdas mais do que festejam os ganhos do mesmo tamanho. Em outras palavras, a dor de uma perda é bem maior do que a alegria de um ganho.

    Essa é uma característica fundamental da psicologia humana. Aplicada ao mercado de ações, significa que os investidores sofrem duas vezes mais por perder dinheiro do que se sentem bem quando escolhem uma ação de bom desempenho. O impacto da aversão à perda nas decisões de investimentos é óbvio e profundo. A fim de preservar a boa opinião que temos de nós mesmos, ficamos apegados a más escolhas por tempo demais, na vaga esperança de que a situação se reverta. Se não vendermos nossas piores ações, nunca teremos de encarar nossos fracassos.

    Ninguém gosta de admitir erros. Mas, se você não vende um erro, está potencialmente desistindo de um ganho que poderia ter com um novo investimento mais inteligente.
  • Contabilidade Mental
    Contabilidade mental é uma das razões a mais para as pessoas não venderem ações com qualidades ruins ou de mau desempenho. Na cabeça delas, a perda não se torna real até que aconteça isso de fato. Isso nos ajuda a compreender nossa tolerância ao risco: é muito mais provável que queiramos correr um risco com dinheiro achado.

OS PRINCÍPIOS DE BUFFETT

Princípios de Negócio
1. Simples e compreensível?
2. Histórico consistente de operações?
3. Perspectiva favorável a longo prazo?

Princípios de Gestão
1. Gestão racional?
2. Transparente com seus acionistas?
3. Resiste ao imperativo institucional?

Princípios Financeiros
1. Foque no retorno sobre o Patrimônio Líquido, não no lucro/ação.
2. Busque companhias com altas margens de lucro.
3. Para cada dólar/real retido pela empresa, certifique-se que ela tenha criado pelo menos 1 dólar/real em valor de mercado.

Princípios de Mercado
1. Qual o valor do negócio?
2. O negócio pode ser comprado com algum desconto? Monitore e aguarde uma “queda” para a compra.

Aprendendo Com Lynch

SIGA OS MESTRES

“Suas perdas são limitadas à quantidade que você investe em cada ação, enquanto os lucros não têm limite absoluto.”

PETER LYNCH

“Os pequenos investidores também podem se tornar especialistas e selecionar ações vencedoras com a mesma competência dos profissionais de Wall Street.”

Ao longo das breves explicações sobre Lynch – um dos mais conceituados investidores do mercado de ações -, descreverei alguns conceitos simples e animadores que os investidores modestos poderão pôr em prática durante sua jornada à liberdade financeira. Novamente, não se baseie em falácias dos analistas e YoutTubers completamente.

O JEITO PETER LYNCH DE INVESTIR

O título já descreve o conteúdo que este grande visionário do mercado quis transmitir a todos os pequenos investidores – também me enquadro -. A simplicidade com que Lynch torna um assunto complexo em algo tão comum em nossas vidas e que, por muitas vezes, passa despercebido aos olhos de 99% das pessoas, incluindo os investidores e especuladores de mercado variável.

Peter detalha que o pequeno investidor deve procurar se informar sobre as empresas que o rodeiam ao longo do seu dia a dia, seja no trabalho, na vida social e até no lazer, das quais tenha algum produto, serviço ou seguimento que te satisfaça de alguma forma, ou que seja tão corriqueiro – como a marca do café que mais te agrada, do melhor salgadinho, da qualidade do serviço de saúde, internet/telefonia, ou até mesmo dos materiais que mais gosta de trabalhar. Cito como exemplo um mecânico, que sabiamente prefere as ferramentas da marca X ao invés da Y. Ou também do profissional da saúde que tem a certeza absoluta da qualidade superior do fabricante de determinado remédio ou até de um simples EPI.

Correto! A sua volta está repleta de produtos, materiais e serviços que têm qualidades superiores a outras e, mesmo com as concorrências, o indivíduo sempre tem seus preferidos. Com essa mesma visão de consumidor, Lynch abrange o caráter investidor da Pessoa Física, independente da classe social e cultural. Para se investir em algum Ativo de valor, não é necessário ser expert nas últimas notícias do mercado – Fugazzi -, basta buscar informações concretas sobre àquela empresa específica, suas dívidas e lucros, perspectivas futuras e situação atual. Nos dias de hoje, com um Google, qualquer um consegue descobrir até os assuntos mais “sombrios” ou animadores sobre qualquer coisa. Imagina em uma empresa de capital aberto?

“Ao chegar primeiro, terá mais chances de encontrar as tenbaggers. Ações que crescem até dez vezes em valor.”

LYNCH, Peter

Este “monstro” relata, inúmeras vezes, que o pequeno investidor é capaz de enxergar as empresas com os melhores produtos que ainda não estão sendo visadas pela grande mídia, canais de investimentos e casa de análises, comprando ações de bons produtos e serviços por pechinchas e ainda lucrando com a mesma por um período muito mais prolongado, no quesito longo prazo. Todos sabem que uma bom Ativo sempre está sob os holofotes e nem por isso deixa de ser um bom Ativo, porém, com certeza já está sobrevalorizado. Peter Lynch ensina que a observância ao redor de negócios promissores, que ainda não se tornaram o centro das atenções, se encontram quase sempre com preços justos ou até mesmo subvalorizados, praticamente zerando seus riscos a longo prazo e ainda mantendo lucros extraordinários.

“Eu continuo a pensar como um amador o maior número de vezes possível, mas nunca abandonando os fundamentos financeiros.”

LYNCH, Peter

O livro de Lynch é extremamente necessário para qualquer investidor, pequeno ou grande, abrangendo históricos pessoais com perdas e ganhos, ensinando a maturidade mental para enfrentar as características adversas dos mercados e suas peculiaridades abomináveis. Abaixo descrevo alguns tópicos importantes e coerentes que Lynch revela como essenciais para um futuro promissor no mercado financeiro.

  1. Em algum momento, no próximo mês, ano ou até nos próximos 3 anos, o mercado declinará significativamente;
  2. Os declínios dos mercados são grandes oportunidades para comprar ações de empresas pelas quais você se interessa. Algumas quedas abruptas deixam empresas excepcionalmente baratas;
  3. Tentar prever a direção do mercado é impossível;
  4. Os preços das ações se movem em direções opostas às dos fundamentos, mas, no longo prazo, a direção e a sustentabilidade dos lucros prevalecerão;
  5. As ações confiáveis com grande participação institucional e reconhecida por Wall Street estão sobrevalorizadas ou estabilizadas, com tendência de cair;
  6. Empresas não crescem sem motivos;
  7. Por meio de eliminação e rotação cuidadosa, baseadas em fundamentos, você pode melhorar seus resultados;
  8. Sempre há algo com que se preocupar;
  9. Mantenha a mente aberta para novas ideias;
  10. Você não tem de possuir todas as ações em alta. Perdi minha parcela de tenbaggers e isso não me impediu de superar o mercado;
  11. O simples fato de que uma empresa já possui um mau desempenho não significa que ela não possa ter um desempenho ainda pior;
  12. Você NÃO melhorará seus resultados ao retirar as flores e regar as ervas daninhas.

Da Euforia ao Medo

SOMOS UMA MONTANHA RUSSA

O mercado financeiro é um ótimo recurso que nos mostra como somos fracos mentalmente, principalmente quando o assunto é dinheiro. Claro, todos nós temos o temor de passarmos alguma necessidade ou perdermos tudo o que conquistamos do dia para a noite. Esse mercado desperta claramente nossas ansiedades mais ocultas, desde a euforia, até o medo profundo.

Se ficarmos fixados, vidrados e viciados em notícias e tendências – sem nenhum tipo de estudo mais aprofundando -, frequentemente iremos nos deparar com a montanha russa que vivemos dentro do mercado. A euforia em acompanhar nosso precioso money rendendo valores que nunca nos foi apresentado, sem esforço algum, até a queda abrupta e o desespero total com prejuízo que podemos arcar.

“Mar calmo nunca fez bom marinheiro”

Citação Avulsa.

EMOÇÃO DO MERCADO

O indicador acima, de 07/08/20, nos mostra claramente que o investidor – seja lá quem for – é monitorado pelos calls e puts, ou seja, no momento estamos todos “nos dando bem”, vendo nosso dinheiro render no mercado de ações, praticamente ignorando os balanços e fundamentos dos Ativos. Quase tudo o que você comprou, está rendendo bons lucros e o sorriso o acompanha de orelha a orelha. Porém, exatamente 1 (um) ano atrás, a sensação dos especuladores era de extremo medo, vendendo seus ativos, mesmo com prejuízos, receosos, preocupados e com medo de perder tudo.

Aprenda a lidar com suas emoções e não trate o mercado como uma montanha russa. Em Wall Street ou na Ibovespa, o medo é o melhor momento para comprar aquela empresa top em promoção, por uma pechincha. Entenda que, você não está apostando em cartas, você está se tornando “sócio” de empresas que vendem produtos, serviços, geram renda de alguma maneira. Enquanto a sensação do mercado é péssima, a empresa está tocando a vida normal, produzindo e se preocupando em gerar lucros e pagar suas despesas. Claro que o investidor tem que estudar sobre a situação financeira da empresa, acompanhar suas perspectivas futuras de negócio e se manter consciente do que está adquirindo.

Um indivíduo demora meses, quiçá anos, para comprar um imóvel! Há uma investigação minuciosa do local, vizinhança, qualidade do material utilizado na construção, tamanho e principalmente, preço. Mas, este mesmo indivíduo, demora segundos para comprar uma ação de alguma empresa que ouviu do fulaninho que estava na padaria comprando pão. O fulano também inclui analistas e pseudo-analistas de mercado, casas de análises, o blogueiro do canal de memes e até um jornalista que resolveu escrever um artigo – jornalista, com exceção, é o malandro que quase tudo sabe -.

ROLLER COASTER

PREPARE SEU PSICOLÓGICO PARA A QUEDA E FIQUE FIRME!

Saúde Mental e Mercado Financeiro

PSICOLOGIA

Não adianta se arriscar no mercado financeiro de renda variável se não houver um trabalho psicológico constante. Ao se deparar com qualquer desafio, todos se preparam minimamente antes para tal situação. Você estuda para passar em um concurso, trabalha contra o sedentarismo para ativar o corpo e a mente, muda a rotina alimentar para o emagrecimento – ou ganho de peso -, exercita a paciência em inúmeras atividades profissionais e por aí vai!

Então, por quê raios a pessoa quer se arriscar no mercado variável, que por muitas vezes é cruel, e não reflete que ela precisa estudar, ler, criar hábitos contínuos de reflexões sobre o seu próprio controle de gastos e reeducação financeira? Não dá para viver como rico, sendo “pobre”!

“Cito como pobre, principalmente, a pobreza interior.”

01


Estratégia

Sempre se lembre que há vários predadores na floresta e, assim que você superá-los, lá será um paraíso. Estratégia de sobrevivência no Mercado Variável é seu maior poder.

02


Mental

Você vê as cercas. Como eu as modelei? É importante moldar as suas cercas, a sua saúde mental deve ser preparada.

03


Resiliência

Sobreviva! Principalmente nos piores momentos.

04


Sucesso

Para ter sucesso, você precisa trabalhar bastante. Para fazer história, faça-a, estude-a, evolua com ela.

OS ATIVOS PODRES

Fiz uma breve explicação para a busca da antifragilidade mental por conta da qualidade das informações jogadas aos quatro cantos, pelo marketing digital, as quais influenciam diretamente nas escolhas dos iniciantes do Mercado. Não se pode simplesmente colocar seu suado patrimônio – dinheiro – nas mãos de “analistas”, YouTubers, e notícias de jornais que você utiliza para limpar o cocô do seu cachorro.

Ao procurar seus ativos, fuja dos podres que não tem nenhuma qualidade intrínseca, fuja das empresas que sempre apresentaram péssimos resultados financeiros, daquelas que a governança administrativa atua de forma oculta nas divulgações de resultados e perspectivas futuras da empresa, sejam positivas ou negativas.

Esses ativos podem te levar ao desespero, afinal, você pode não ter condições psicológicas para ver seu dinheiro indo para o ralo, caso não tenha preparado seu terreno com terra fértil. Os principais fundamentos que os grandes investidores, que vencem o mercado diariamente, ensinam: Estude, estude e estude. Não apenas os livros teóricos sobre economia de mercado com números e mais números, mas foque na qualidade do seu interior, na estratégia psicológica para não cair em armadilhas – ganância -, exercite sua paciência emocional e não busque desesperadamente por enriquecer rápido. Invista em empresas que se veja como sócio e se atualize no contexto da mesma.

“É mais fácil ficar longe do problema do que sair dele.”

Warren Buffett

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: